Ana e Lucas eram muito amigos, daqueles primos que não se desgrudam nem na hora de comer. Onde Ana estava, podia procurar Lucas que ele estava também. Ana tem 16 anos e Lucas, 10.
Eles saíam muito juntos, por grande que fosse a diferença de idade, isso não era empecilho para que os dois se divertissem. Em uma dessas saídas, Ana o levou pra jogar bola num campo de areia que se montava todos os anos em um shopping da cidade deles. Era a sensação do verão, já que a cidade não tinha praia. Apesar de não gostar muito de futebol, Ana o levou pra esse tal campo. Cansada de ficar só olhando, a garota foi procurar algo pra comer. Ao sair disse apenas:
-- Lucas, já volto.
Os jogos aconteciam no estacionamento do shopping, e Ana foi procura algo pra fazer dentro do shopping. Já quase no portão principal, a menina vê um senhor sozinho, acompanhado apenas por uma bengalinha humilde. A garota para e fica olhando aquele senhor ali. No mesmo instante, o senhor tropeça e cai .
Ana corre e tenta acudir o moço.
-- O senhor está bem? Eu não vi como o senhor caiu, precisa de alguma coisa, um remédio, uma água pra limpar...Eu posso...
O senhor a interrompeu dizendo:
-- Calma minha filha, estou bem. Foi só um tropecinho de nada, não precisa de preocupar desta maneira...Qual o seu nome minha filha? O meu é Joaquim.
Já mais calma, Ana responde:
--Meu nome é Ana Cláudia. Eu estou com meu primo Lucas.
--Muito prazer Ana Cláudia, prima do Lucas.
Ana riu. E viu que Joaquim também ria.
--Eu vou ali comprar uma água pra lavar esse ferimento. Está Horrível!
Ana Levantou-se e rapidamente voltou com a água.
--Pronto, voltei. Demorei muito?
--O necessário.
Ana estava impressionada como aquele homem aparecera. E mais ainda de está ali o ajudando. Para ela, aquela cena era muito estranha. Ela estava ali, ajudando aquele senhor que até alguns minutos atrás não sabia nem, o seu nome, e já estavam amigos. Não sabia nada da vida dele. Se era rico, se era pobre, se tinhas filhos ou se não tinha, se era casado ou solteiro. Enfim, com quem ele estava... Pra ela, tudo aquilo era muito confuso...
--Conte-me um pouco de sua vida, Ana.
--minha vida? Minha vida é normal, nada de interessante. Tenho 16 anos, curso a 2ª série do ensino médio. Em breve pretendo ser uma grande juíza de direito.
--Hum... Pensa grande você... Mas sabe, para isso é necessário muito estudo e muita dedicação. A carreira que você escolheu requer um acompanhamento de perto.
-- É, eu sei disso... Mas vou me dedicar com bastante afinco para que meu sonho se torne realidade.
-- Quem bom. Meu filho também é juiz. Mas ele nem se importa comigo. Não tenho dinheiro e lutei a minha vida toda para que ele tivesse uma boa educação.
Ele me deu um apartamento onde hoje eu moro. Mas não sou muito feliz. Sou muito sozinho e nunca tenho com quem conversar. Foi muito bom conhecer você Ana Claudia.
Naquele instante, Ana lembra de Lucas e core para buscá-lo.
-- Seu Joaquim, esqueci de Lucas. Tenho que ir agora.
-- Espere, dê o número de seu telefone.
Sem pensar, Ana tirou da bolsa um pequeno papel e anotou seu telefone.
-- Adeus eu Joaquim.
Seu Joaquim, sem ânimo, balbuciou um simples “tchau”.
sábado, 11 de outubro de 2008
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